Cine Ceará 2017. Texto final


FORTALEZA – O clima político frio, na quente Fortaleza, ganhou temperatura na cerimônia de encerramento do Cine Ceará realizada sexta à noite no Cineteatro São Luiz, centro da cidade. Ao longo da cerimônia,ouviram-se muitos “Fora Temer”, palavra de ordem sempre aplaudida pela platéia. Como o evento é ibero-americano, ouviu-se, mais de uma vez, um “Fuera Temer”, pronunciado por um dos vencedores. Vinha na voz do argentino Guillermo Pfening, ganhador do troféu Mucuripe de melhor ator em Ninguém Está Olhando, filme de Julia Solomonoff que acabou vencendo o festival. O longa triunfou também na categoria de melhor montagem e ainda levou o prêmio da crítica, oferecido pela Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema). Foi o grande vencedor da noite.

O longa argentino, história de um ator de telenovelas famoso em seu país que tenta fazer carreira em Nova York, bateu assim aquele que era considerado um dos favoritos, Uma Mulher Fantástica, de Sebastián Lelio, do Chile, que levou apenas dois prêmios, os de trilha sonora original e som.

Aquele que para muitos críticos (inclusive para este que aqui escreve) o melhor filme do festival, Últimos Dias de Havana (foto), levou dois troféus importantes, direção (Fernando Pérez) e fotografia (Raúl Pérez Ureta). Era o único grande filme em concurso, com sua comovente história de dois amigos. Um deles deseja ir para os Estados Unidos. O outro, à morte, sofre de Aids e tem os dias contados. Através dessa história íntima, a imersão na realidade cubana é total, feita de de sinceridade, complexidade e tratamento nada estereotipado. Pena que o júri oficial não tenha reconhecido a gritante superioridade cinematográfica deste filme em relação aos outros concorrentes. Para sorte do público brasileiro, Últimos Dias em Havana estreia dia 24 próximo.

O outro concorrente cubano, o supervalorizado porém inconsistente Santa e Andrés foi premiado pelo que tinha de pior, o roteiro, esquemático a mais não poder. Ganhou também o troféu de melhor atriz com Lola Amores, este justificável. Lola interpreta uma comissária do povo designada para vigiar um dissidente cubano. O filme enfrentou problemas com a burra censura de seu país, o que lhe conferiu a aura de qualidade que de outra forma não teria. Censores sempre promovem as obras que vetam, uma espécie de justiça poética da história.

O destaque – negativo – do festival fica para a fraca participação brasileira. Um prêmio apenas, o de direção de arte, para Malasartes contra o Duelo da Morte. Pedro sob a Cama saiu de mãos abanando. Não se pode dizer que o júri tenha errado nessa premiação rarefeita à produção nacional, tão mal representada.

Na parte dos curtas a premiação foi cirúrgica. O troféu de melhor filme ficou para o paulista Festejo Muito Pessoal, do paulista Carlos Adriano. Valentina (Rio) ganhou o troféu de direção (Estevão Meneguzzo e André Félix), Memórias do Subsolo venceu como melhor roteiro (Felipe Camilo) e elegeu Filó – a Fadinha Lésbica, de Sávio Leite.

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