Além do Homem


Além do Homem

Alberto Luppo (Sérgio Guizé) é um escritor que vive em Paris há muitos anos e, a contragosto, vê-se obrigado a voltar para o Brasil para tentar encontrar um explorador francês desaparecido no interior do País.

O filme de William Biondani tem qualidades. Retorna, para dizer a verdade, a um velho e recorrente tema tupiniquim: a recusa da identidade brasileira, comum à elite, e que precisa ser reconquistada a cada vez, para ser perdida de novo na crise seguinte. Por sua vez, essa “identidade” moraria no interior, no campo, e não na cidade. No ambiente não conspurcado pela modernidade, o “específico brasileiro” poderia ser resgatado em sua pureza e valor. A história adquire atualidade na atual crise de valores que faz o brasileiro, mais uma vez, desconfiar de si mesmo.

Com ótimo elenco – o próprio Guizé, Otávio Augusto, Fabrício Boliveira e a incrível Débora Nascimento – o filme apresenta alguns tropeções de ritmo. Mas acaba encontrando seu caminho, ainda que percorrendo estradas intransitáveis. Em seu horizonte, sente-se pulsar a obra-prima de Mário de Andrade, Macunaíma, vertida para o cinema por Joaquim Pedro de Andrade.

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