Al Pacino


Alfredo James Pacino, o rapaz ítalo-americano pobre criado no Bronx, interessou-se cedo pela arte da interpretação e foi aluno de Lee Strasberg no Actor’s Studio. Dessa forma, Al Pacino passou pelo Método (assim, com maiúscula), derivação norte-americana do sistema de Stanislavski de formação de atores.

Os efeitos duradouros do Método podem ser vistos na obra que revelou Al Pacino ao grande público e o consagrou como ator – a trilogia do Poderoso Chefão, dirigida por Francis Ford Coppola.

Na primeira metade do primeiro episódio, Pacino ainda sente a sombra de um gigante – Marlon Brando, que interpreta o capo Vito Corleone. Fragilizado por um atentado à bala, Don Vito logo sai de cena. E seu filho, Michael (Pacino), assume o comando da famiglia. Seguirá assim no Chefão 2 e conduzirá seu personagem a uma trágica decadência no Chefão 3.

O que vemos nessa saga genial? Claro, a direção incrivelmente inspirada de Coppola, mas também uma proeza de elenco, comandado por Pacino. Ele leva seu personagem com sentido de grandeza interiorizada, até mesmo em seus desafios mais profundos. O maior deles: o crime cometido contra a própria família ao ordenar o assassinato de um irmão. O terceiro episódio é o da expiação da culpa. E da punição, com a perda do poder, a chegada da velhice e, acima de tudo, a morte da filha.

Um ator menos dotado poderia ter feito de Michael Corleone uma caricatura. Pacino dá-lhe todo o matiz de um ser humano impulsionado pela ambição do poder, um criminoso que tenta se redimir, um ser culpado que não encontra outro conforto senão o sofrimento em sua própria decadência. Não precisamos nos identificar com ele. Mas Michael, através de Pacino, nos abre uma via de compreensão para alguém que é radicalmente diferente de nós – ou assim o julgamos.

Não foi essa obra-prima em três partes que deu a Pacino seu Oscar de melhor ator e sim o papel em Perfume de Mulher. Remake norte-americano de um clássico do cinema italiano, Profumo di Donna, de Dino Risi, traz à cena um militar amargurado, cego em um acidente. Frank Slade planeja se despedir da vida com uma semana grandiosa e, em seguida, se matar. Com um acompanhante vai a um baile dançar tango, dirige uma Ferrari, etc.
Quando uma linda dama se aproxima, ele sente esse inefável “perfume de mulher” que, para um homme à femmes, é sinônimo de chamado à vida. Na pele desse personagem marcado pela tragédia, mas também por um impulso vital fora do comum, Pacino está magnífico.

Devemos lembrar que Al Pacino também fez trabalhos marcantes como gângster no sangrento remake de Scarface e em O Pagamento Final (Carlito’s Way), ambos dirigidos por Brian de Palma.

Em 2014, Pacino apareceu na pele de um personagem bastante complexo – um ator envelhecido que começa a esquecer suas falas no palco. O filme, dirigido por Barry Levinson, é baseado no livro A Humilhação (The Humbling), de Philip Roth, e chamou-se O Último Ato no Brasil. Talvez como compensação para suas frustrações, Simon (Pacino) atira-se de cabeça no relacionamento com uma ninfeta bissexual, Pegeen (Greta Gerwig), filha de um casal de amigos. As consequências dessa paixão outonal são terríveis e servem como advertência sobre o preço que um último uivo pode custar a um lobo senil.

Em todos esses papéis, e em muitos outros que sua longa carreira lhe reservou, Pacino deixou sua marca indelével. Os personagens crescem com ele, suas ambiguidades são expostas e tanto a grandeza quanto a fragilidade humanas emergem. É um prazer vê-lo representar.

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