Mostra de Gostoso 2022: A Filha do Palhaço é o grande vencedor


Pedro Diógenes e família recebem o prêmio de A Filha do Palhaço na Praia do Maceió[/caption]

São Miguel do Gostoso/RN

O público falou – e disse – que o prêmio principal deveria ir para A Filha do Palhaço, do cearense Pedro Diógenes. Em Gostoso é assim: não há júri oficial. Ou melhor, oficial é o público, que tem assim a primeira a última palavra. As pessoas votam de 1 a 5 no final da sessão e pronto.

De fato, entre os quatro concorrentes a melhor longa-metragem elegeu aquele que, na chave da ternura e do perdão, dialoga com mais facilidade com a plateia. Pode ser sinal de um novo tempo que começa, em que o país, cansado de guerra e vilania, talvez se volte à urgente tarefa da reconciliação. Não custa sonhar. E desejar também é de graça.

Em todo caso, o perdão está na base dessa história de reencontro entre um pai relapso (Demick Lopes) e a filha adolescente que decide conhecê-lo. Não é emoção fácil, mas ternura embalada em senso de humor e modernidade na afirmação de que cada qual tem o direito de amar como bem entende. Qualquer maneira de amor vale a pena, como se diz naquela música do Milton Nascimento.

O acreano Noites Alienígenas, de Sérgio de Carvalho, levou uma menção honrosa porque, segundo os organizadores, se aproximou muito da vitória no júri popular. O filme foi o vencedor do Festival de Cinema de Gramado, há pouco encerrado.

Ficaram seu troféus (Cascudo, em homenagem ao historiador da cultura popular Luís da Câmara Cascudo), A Mãe, que em Vitória levou a tríplice coroa (júri oficial, público e crítica) e Paloma, grande vencedor do Festival do Rio.

O melhor curta-metragem, sempre pelo júri popular, foi Ela Mora Logo Ali, de Fabiano Barros e Rafael Rogante. É a bela história de uma vendedora de bananas fritas que encontra em Dom Quixote um manancial de ficção para encantar a imaginação de seu filho doente. A trama é ainda mais complexa e criativa porque a mulher fica sabendo da obra de Cervantes através de uma moça que lê o clássico espanhol num ônibus. Aqui, mais uma vez, a solidariedade e a bondade – valores tão em desuso nos últimos anos – tocaram o coração do público.

Os jornalistas que cobriam o festival elegeram seus favoritos e deram o Troféu Imprensa para A Filha do Palhaço, como melhor longa, e para Ainda Restarão Robôs nas Ruas do Interior Profundo, de Guilherme Xavier Ribeiro, como melhor curta. Era, de fato, o curta-metragem mais original e que faz ressoar a voz do interior paulista pelo seu lado periférico, diferente do mainstream reacionário reiterado nas últimas eleições.

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