Como fazer rir com a política brasileira?


Fui hoje de manhã ver O Candidato Honesto 2. Isto não é uma crítica do filme – ela virá a tempo, na data da estreia.

No entanto, ao longo da projeção, fiquei pensando nas imensas – e talvez intransponíveis – dificuldades com que lida uma comédia desse tipo e com esse tema.

Podemos resumir essas dificuldades em uma frase: como parodiar algo que já é intensamente ridículo?

Por exemplo, o longa procura satirizar a figura do presidente. Porém, como fazê-lo, quando o modelo ultrapassa de muito qualquer invenção cômica?

Como encenar uma sessão da Câmara mais engraçada que aquele inesquecível e insuperável show de horrores que autorizou o processo de impeachment?

Quando uma comédia lida com abismos desse tipo, defronta-se com desafios talvez insuperáveis.

Definitivamente: no Brasil, o humor saiu das mãos dos profissionais.

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